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Opinion

DE VOLTA AO BRULIL

🚀 A Era do Site Estático Acabou.

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Pois é. De tanto que achamos interessantes os costumes do Brulil, país localizado em uma região quase austral de nosso planeta e que já foi citado em outro editorial, lá voltamos para dar uma observada nas últimas novidades; e constatamos que tudo, lá, continua igual (ou, de acordo com muitos Cidadãos locais, pior).

País de perfil ímpar, onde o povo deriva, basicamente, de três grupos indígenas (os Uzquimandha, os Uzquipensa-Kimandha e os Uzquibehdece), sendo o primeiro a “elite”, seguida de perto pelo segundo e exercendo domínio quase completo sobre o terceiro, o qual representa aproximadamente 90% dos habitantes.

O curioso, mesmo, é que desta vez, logo depois de descermos do avião na capital Brulília, fomos brindados com uma espécie de livrinho, que deve ser um tipo de Constituição deles, lá, e que se chama “Numpod-Mazpod“.

Nada de novo nisso, já que quando estivemos na Líbia também recebemos um livreto explicativo sobre o regime de governo local, a Jamahiria Popular, onde nos pareceu que todos são iguais e, portanto, não há chefes (todo mundo manda).

Parece que a Numpod-Mazpod foi escrita por um proeminente cidadão local de nome Gersus, um grande Atleta que fumava muito, o qual elaborou algumas das mais interessantes (!?) leis de que se tem notícia, como aquelas referentes a vantagens.

Assim, abrimos o tal livro e nos deparamos com algumas cláusulas, no mínimo bastante estranhas, como as que listaremos logo a seguir. Notamos, ainda, que a Numpod-Mazpod parece ter sido escrita apenas para os Uzquibehdece, já que os Uzquimandha e os Uzquipensa-Kimandha pouco a lêem – e, quando o fazem, pulam alguns capítulos como se eles não tivessem importância.

Logicamente não iremos colocar todas as leis aqui, mas apenas algumas dignas de nota e que foram fruto de nossas anotações:

Há uma que impõe pena de quatro meses de prisão para quem furtar manntegha (uma espécie de pasta para passar no pão) e, na mesma página, deparamo-nos com outra, a qual concede a liberdade a indivíduos que praticarem grandes roubos, mas só se o produto de tal subtração for transportado bem escondido em pequenas malas ou, ainda, dentro de roupa íntima.

Ainda dentro do Khodico Kriminall (a parte mais interessante do tal livreto), descobrimos que matar os próprios pais não é considerado ato tão criminoso assim, mas dar entrevistas posteriores sobre o assunto faz com que o perpetrante vá para a cadeia. Cremos até que, se o tipo de crime há pouco referido for levado a cabo por arma de fogo, aí então garante-se muito mais tempo de noticiário nos canais de televisão do Brulil.

Assim, o criminoso que busca fama (outra estranha característica do Brulil: há muitos deles que são famosíssimos e adorados por grande parte da população) deve utilizar meios bem marcantes, como granadas e metralhadoras (se ele for um Uzquibehdece, basta uma garruchinha enferrujada para ser classificado como terrorista). Parece, também, que atear fogo a indígenas, lá, não consiste em grande crime, mas disso não temos tanta certeza. Deve ser apenas um caso de falta de legislação específica sobre o assunto.

Outra interessante questão reside no fato de que, lá, quem manda mesmo em certas questões são estrangeiros, principalmente se forem dos grupos denominados Interonguez Khampesinothaz, os quais podem invadir propriedades privadas sem sofrerem os rigores das leis (deve ser porque são estrangeiros, não sabemos ao certo).

Existem, ainda, outras organizações denominadas Deeheitzumahn, cujo papel é visitar núcleos familiares que perderam integrantes notadamente criminosos, não havendo qualquer outra organização semelhante que se ocupe das famílias de Policiais mortos em ação. Acreditamos, contudo, que seja apenas um erro de interpretação nosso, já que tudo indica isso não ser possível.

Em nossa busca histórica sobre aquela estranha nação, descobrimos que na época de Gersus, seqüestro, por lá, era um crime considerado algo mais sério, mas atualmente há algumas pessoas (juramos!) que querem que esse tipo de crime seja passado para a categoria dos mais leves – diferentemente de furtar manntegha, esse sim muito sério – para que os seqüestradores possam usufruir logo de liberdade (em média alguns meses ou poucos anos) e poderem ficar famosos por todo o Brulil.

Outros crimes muito sérios são aqueles onde se calcula (veja bem – se calcula, mas não se tem certeza) que o perpetrante pareça estar privilegiando uma das três raças em detrimento das outras duas (principalmente quando a afetada é a dos Uzquibehdece). Tais crimes são muito vistos pela televisão até que um illuminatio (indivíduo geralmente pertencente à raça Uzquimandha, mas podendo ser da Uzquipensa-Kimandha) ache que é crime – aí todos põe a boca no trombone e ficam falando do assunto durante muito tempo (e, enquanto isso, as tais propagandas consideradas abusivas continuam no ar) e, depois, o assunto geralmente é esquecido. Muito estranho, esse pessoal do Brulil.

Ora, como somos pela igualdade das raças, até entendemos tais procedimentos, mas o que não é possível compreender é o fato de eles, lá, protegerem animais considerados em extinção enquanto alguns cidadãos-habitantes vivem em condições sub-humanas (notadamente os Uzquibehdece).

O grupo intermediário, composto pelos Uzquipensa-Kimandha, é de longe, o mais engraçado, pois nele encontramos os entes denominados Othoridadd, geralmente os culpados dos crimes contra os Uzquibehdece, mas que quase sempre põe a culpa no grupo dominante, o dos Uzquimandha.

Os Mihizthros (aqueles que, em tese, mandam mais, depois do rei) brulilenses são predominantemente escolhidos entre os Uzquimandha ou os Uzquipensa-Kimandha, mas às vezes o rei deles lá coloca no cargo alguém oriundo dos Uzquibehdece, só para disfarçar uma enorme má-vontade contra essa última e maior fatia da população.

O Reino do Brulil é sustentado basicamente pelos Uzquibehdece através de contribuições obrigatórias denominadas himpoztaxas; e muitos deles acreditam estar, desse modo, exercendo sua Cidadania. Imaginem que, há muito tempo, um dos illuminatios chegou a criar uma himpostaxa, que vale até hoje, para dar um jeito na Saúde Pública (o índice de cidadãos com anteninhas de percepção da realidade quebradas, lá, é muito grande; e tal moléstia ataca a maioria da população), mas muitos Zentruz Ozpithalares – onde os enfermos ficam em fila para serem atendidos alguns meses depois, se for possível – continuam em condições precárias!

As eleições (sim, lá o rei é eleito, por enquanto) são obrigatórias (eles chamam isso de direytho); e ai do Cidadão que não votar: está sujeito a uma pequena multa, fica impedido de sair do país e de exercer cargo público. Uma minoria já chegou à conclusão que a única saída é ser Pulitko, já que tal classe geralmente não costuma subordinar-se à Numpod-Mazpod.

As Forças Defensoras (este é o nome oficial) daquele longínquo país caminham para a mais completa miséria, tendo até que fechar quartéis em certos dias da semana para não ter que alimentar os soldados (só falta, mesmo, eles avisarem a um suposto inimigo que ele teria que respeitar os dias “de folga” antes de tentar atacar o Brulil. Cremos que as convenções internacionais nem prevêem tal tipo de atitude, mas…); e certas Delegacias de Polícia fecham em fins de semana – aliás, diferentemente de outros países, inclusive os vizinhos do Brulil, lá tais estabelecimentos costumam servir para a guarda de presos por longos períodos. Estranho costume local, esse. Deve ser porque algum illuminatio ou othoridadd concluiu que isso é bom para a nação…

Para encerrar: uma última e interessantíssima lei deles, lá, impõe que funcionários da Limpeza Pública tenham que ter, no mínimo, oito anos de estudo para exercer tal função – mas para ser Rei, tal requisito não é necessário!

Realmente um país muito estranho, esse Brulil!


NOTA DOS EDITORES

Enquanto cuidamos do fechamento desta edição de MAGNUM, a cidade de São Paulo está praticamente tomada por bandidos!

Enquanto isso, o meliante Marcola afirma às autoridades constituídas que “ele é capaz de entrar em uma delegacia e matar Policiais – mas que Policiais não podem entrar na prisão e matá-lo!”

Tal arrogância tem seu contraponto na ingênua (?!) e inadmissível declaração do Sr. Gregori de que “estava estarrecido com o que aconteceu, já que pensava que CRIME ERA SÓ NO RIO DE JANEIRO!!!!”

Situações de exceção merecem políticas de exceção. Quem sabe, agora, as “Autoridades” percebam que devem melhor aparelhar, treinar e remunerar as Polícias para que as respostas à ousadia do crime venham com mais presteza!

Nada justifica as mortes ocorridas. Precisamos de heróis vivos, e não mortos! Que a orientação referente à Segurança Pública seja completamente revista – a não ser que queiramos, novamente, noites de terror! E que a vergonha e o arrependimento se abatam sobre aqueles que defendem cortes de verbas que apenas visam garantir a segurança da População!

Revista MAGNUM, edição de abril/maio de 2006


Por Lincoln Tendler