Quem será o salvador da pátria?
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Quem será o salvador da pátria?
Para saber o que irá acontecer com o Brasil, precisamos antes de tudo fazer uma fotografia do estado atual da nação.
Para isto, vamos voltar um pouco no tempo, e teremos um quadro mais completo.
Primeiro, a “Descoberta” do Brasil, como nos foi ensinada na escola, é uma completa mentira. O Tratado de Tordesilhas já havia designado quase metade do Brasil para Portugal, e isto se fez para evitar uma guerra de grande escala entre a maior potência marítima da época, Portugal, e a segunda, que era a Espanha. O mapa de Piri Reis, antiquíssimo, já havia se mostrado bastante preciso, e foi com ele que conseguiram convencer a Rainha da Espanha a investir no “descobrimento” da América. Estes descobrimentos, na verdade, foram mais tomadas de posse pelos grandes conquistadores dos séculos XIV e XV.
A navegação do século XIV já era muito precisa, e já existiam os meios de se estabelecer a latitude com precisão espantosa. Ah, outra coisa: ao contrário de muitos em nossa atualidade, naquela época os navegadores já sabiam que a Terra era redonda — premissa essencial para se navegar utilizando sextantes e bússolas. Hoje, qualquer piloto sabe que, ao navegar na mesma latitude para leste ou para oeste, chegará ao mesmo ponto em algum momento — é assim quando se navega sobre um globo. Hoje já sabemos mais: temos a compreensão de que o globo não é uma bola perfeitamente esférica, mas tem seu diâmetro maior no Equador, resultando em um formato um pouco mais “achatado”.
Quando as Américas foram então dominadas pelas duas nações que conheciam o suficiente sobre navegação, o resultado foi exatamente aquele desenhado no Tratado de Tordesilhas: a parte a oriente da linha divisória passou a pertencer a Portugal, e a parte ocidental, à Espanha.
Os outros países que tinham suas marinhas em crescimento, principalmente a Inglaterra e a Holanda, logo se lançaram e começaram a disputar a hegemonia dessas duas potências, resultando em conflitos armados bem documentados na história.
A outra coisa que é necessário compreender é que, para os Impérios, as colônias eram lugares subqualificados. Explico: não era nenhuma grande honra ser governador de alguma parte de qualquer colônia, pois os nobres com prestígio preferiam disputar o poder DENTRO de seus respectivos países. Assim, era muito mais “lucrativo” para um nobre desfrutar de ricos ganhos na corte do que se aventurar em cantões incivilizados.
Aqui abro um parêntese: existiam civilizações e civilizações. Enquanto as grandes potências europeias conquistavam suas colônias com base na tecnologia da navegação e das armas, já existiam civilizações antigas muito bem organizadas socialmente, especialmente na Ásia, com organização social muito bem definida, riquezas imensas e que, por exemplo, tomavam banho mais de uma vez por ano. Sim, os japoneses, por exemplo, identificavam a chegada de um europeu pelo seu mau cheiro característico, e em sua língua tratavam os europeus com nomes pejorativos, tais como “gaijin”.
No caso específico do Brasil, que é o que nos interessa, as grandes reservas naturais de ouro e prata logo ganharam destaque, incentivando que pessoas que antes nem sequer sonhariam em se ausentar das cortes agora se aventurassem para as colônias.
Isto se manteve numa condição de quase equilíbrio até que Napoleão conquistasse quase toda a Europa, quando toda a Corte Portuguesa precisou fugir para o Brasil, que, durante algum tempo, foi a sede do império.
Este é um ponto de inflexão: a maior colônia de Portugal, a mais rica em reservas naturais, de repente se tornou a capital do Império Português. Foi nessa condição que D. João VI chegou aqui e se estabeleceu no Rio de Janeiro, tornando aquela cidade uma moderna capital nos mais avançados padrões europeus.
Naquela época não existia nenhum dos conceitos que temos hoje de higiene, e muito menos de ecologia, ou seja, as fezes eram atiradas pelas janelas nas calçadas, e ninguém realmente tinha em mente o conceito de preservação do meio ambiente — inclusive porque o mundo parecia infinitamente maior do que nos parece hoje, ou seja, vivia-se de acordo com a ideia de recursos naturais infinitos.
Quando D. João VI se viu em condições de retomar o trono em Portugal, já tinha uma visão diferente sobre o Brasil, já conseguia compreender a importância logística do país no cenário mundial. E outra coisa importante: já havia estabelecido no Brasil algo que era proibido para outras colônias, o comércio com outros países industrializados.
Assim, o Brasil ganhou relevância no cenário mundial, mostrando-se um mercado consumidor relevante para a Inglaterra, que vivia o momento da grande industrialização. A Inglaterra precisava dos produtos básicos do Brasil — madeira, café, cana-de-açúcar — e, por sua vez, precisava vender seus produtos industrializados para a burguesia que começava a nascer no Brasil, primeiramente na figura dos grandes fazendeiros.
Essa tensão se resolveu com a determinação da coroa portuguesa em permitir a “independência” do Brasil, e sim, um dos fatores determinantes da independência foi a pressão da Inglaterra pelo rico mercado brasileiro SEM a intervenção direta de Portugal. Convenientemente, a independência foi proclamada por D. Pedro I, que permaneceu no Brasil apenas enquanto não foi necessário na corte em Portugal — ocasião em que deixou seu filho, D. Pedro II, ainda criança, para ser o segundo Imperador do Brasil.
Assim como Alexandre, o Grande, se tornou grande por ter sido educado por Aristóteles, D. Pedro II também foi tutelado por alguém de igual mérito, José Bonifácio — um homem que merecia um destaque muito maior na história do Brasil.
O fato é que D. Pedro II foi muito menos influenciado pela Corte Portuguesa e, guiado pelo grande sábio que o tutelou, cresceu como um homem do seu tempo, versado em ciências, política, economia e artes. Com base nessa robusta educação, D. Pedro II buscou de todas as formas colocar o Brasil em pé de igualdade com as maiores nações do planeta, enfrentando aqui dificuldades que não foram encontradas em outros países. Por exemplo, a Ferrovia Madeira-Mamoré se mostrou um empreendimento gigantesco e de custos monstruosos, mas foi feito com base na consciência de que o país precisava ser integrado por meio de uma malha moderna e eficiente de transportes. Sim, este foi um empreendimento soterrado pela selva amazônica, mas outro feito pouco explorado pela história é que, durante o Império, o Brasil formou a maior frota marítima do mundo. Não me lembro de ter estudado isto na escola…
D. Pedro II era um brasileiro de pleno coração; mantinha-se conectado, pessoalmente ou por meio de missivas, com os maiores e mais relevantes cientistas da época, tais como Alexander Graham Bell, tendo instalado uma rede telefônica no Brasil quase ao mesmo tempo em que isso acontecia nos Estados Unidos da América.
O fato é que o Brasil enfrentou guerras internas importantes durante o governo de D. Pedro II, sendo as mais importantes a Guerra do Paraguai, a Guerra dos Farrapos e a Guerra de Canudos. Temos registros importantes desses conflitos, mas nossas crianças não aprendem sobre isto nas aulas de história, o que compromete sua noção de nação, de povo. Um povo sem história não tem identidade, e um povo sem identidade não consegue decidir o próprio destino.
Enquanto tudo isto acontecia, os países colonizados pela Espanha começaram a se tornar independentes, e estes, por sua vez, criaram heróis que são lembrados e relembrados, como Simón Bolívar. Já no país do futebol, todo mundo se emociona com a Taça Libertadores, mas ninguém sabe sobre cidadania e civismo.
Em determinado momento, forças políticas cresceram dentro do Brasil, resultando no golpe militar que todos conhecemos como “Proclamação da República”. Passamos rapidamente de Império do Brasil para Estados Unidos do Brasil e, posteriormente, para República Federativa do Brasil — apesar de a estrutura do Brasil não ser realmente uma federação de estados, pois os estados brasileiros nunca tiveram grande autonomia administrativa e legislativa.
A experiência do Brasil-República foi de um fracasso a outro, acabando em uma ditadura fascista com Getúlio Vargas, que redigiu uma Carta Constitucional e importou para a legislação a “Carta del Lavoro” da Itália mussoliniana. Durante a ditadura também houve convulsões importantes, tais como a Revolução de 32. Apesar do apoio de outros estados, como Rio Grande do Sul e Mato Grosso, a verdade é que a adesão à revolução não foi tão significativa, sendo o Estado de São Paulo vencido em batalha, não sem antes sofrer importantes bombardeios e outros ataques perpetrados pelo ditador. Desse esforço resultou, de fato, uma Constituição, feita sob os critérios do ditador, mas também veio um endurecimento na legislação e nas liberdades civis, com o Exército Brasileiro assumindo o controle das armas de civis por meio do famigerado Decreto R-105, cujas bases permanecem até hoje, fortalecidas pelo atual governo narcoterrorista, que depende do desarmamento civil e da prisão de inocentes para calar a boca da população — no que tem obtido franco sucesso.
No decorrer do século XX, começaram a tomar força vertentes comunistas que, inspiradas pela Revolução Bolchevique, deram início, por meio de iniciativas armadas e técnicas de guerrilha, à implantação do comunismo no Brasil. Mas é importante ressaltar que, mesmo após o suicídio de Getúlio Vargas, o DNA socialista já estava fortemente implantado na cultura brasileira, com ideias como a criação de “empresas estatais” — uma forma aparentemente moderada de socialização dos meios de produção que entrou no ideário do brasileiro comum como símbolo de patriotismo, isto à custa de muita propaganda e formação ideológica. Assim, enquanto países desenvolvidos prosperavam por meio da iniciativa privada, no Brasil se criou a ideia de que ativos importantes para a soberania nacional deveriam pertencer ao Estado — um dos pontos basilares do pensamento socialista.
Mesmo quando a contrarrevolução de 1964 conseguiu frear e impedir a comunização oficial do Estado brasileiro, o pensamento socialista não foi afastado, porque todos os brasileiros já tinham incorporado os pensamentos fundamentais da doutrina socialista (da qual o comunismo é apenas uma das vertentes). Sim, vale lembrar que, na Segunda Guerra Mundial, o “Eixo” era formado por pelo menos dois países socialistas — a Alemanha, com o nacional-socialismo (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, conhecido como nazista), e a Itália fascista, por meio do partido fundado por Benito Mussolini, o Partido Nacional Fascista. Benito Mussolini foi expulso do Partido Socialista Italiano devido ao seu apoio à entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, mas nunca deixou de ser socialista um único dia de sua vida.
Getúlio Vargas era totalmente alinhado a Hitler e a Mussolini, do que existe vasta documentação histórica constante em suas correspondências oficiais, telegramas diplomáticos e em seu diário oficial. Vargas se orgulhava em dizer que era amigo pessoal de Hitler, e isto era público. O Brasil só não entrou na guerra incorporando o “Eixo”.
Os Estados Unidos da América se utilizaram de pressão econômica e militar muito eficientes, dobrando Vargas e levando-o aos chamados “Acordos de Washington”, em que o momento mais determinante foi o encontro de Vargas com o Presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, em Natal, em 1943. A partir de então, Vargas cedeu aos EUA espaço para o estabelecimento de bases militares norte-americanas no Brasil, e o Brasil recebeu financiamento para a fundação da CSN — Companhia Siderúrgica Nacional. Em seguida, o Brasil enviou seus praças para a Itália, onde combateram o Exército Alemão, enfrentando situações geográficas e climáticas inéditas para o brasileiro comum, o que ocasionou muitas mortes, mas também resultou em pelo menos uma vitória muito importante, no Monte Castelo.
Tive a honra de conhecer pessoalmente dois combatentes brasileiros da Segunda Guerra Mundial, fato do qual me orgulho muito.
Quando o Presidente João Goulart foi deposto pelo Congresso Nacional, sobreveio logo a seguir uma gigantesca instabilidade nacional, o que motivou a formação de um governo provisório formado pelos Generais Costa e Silva, Almirante Rademaker e Brigadeiro Correia de Melo, até que, em eleições indiretas realizadas pelo Congresso Nacional, foi eleito o Presidente Castelo Branco, no que a esquerda brasileira apelidou de “Ditadura Militar”.
Ditadura, em socialistês, é qualquer forma de governo que consiga combater com alguma eficiência a implantação do comunismo.
Nasci em setembro de 1964, poucos meses após a Revolução. Cresci num Brasil em que a gente podia brincar na rua até tarde, podia pernoitar com o portão aberto, podia ir e vir sem ser incomodado por ninguém; a gente podia ter e tinha armas de fogo, viajava com nossas armas para caçar e pescar tendo apenas o Registro da Arma de Fogo, um documento cujas exigências eram ter mais de 18 anos de idade, CIC (atual CPF) e RG. O delegado da cidade assinava o registro, e, na imensa maioria das vezes, a própria polícia não tinha controle eficiente nem desses registros nem dos portes de armas, que também eram assinados pelo delegado de polícia civil local.
A criminalidade existia sim, e a gente a via nas bancas de jornal, no “Notícias Populares”, e nos programas de rádio do Gil Gomes. Mas era como assistir a filmes ou novelas: os crimes não faziam parte do cotidiano do brasileiro comum. Ah, a polícia era muito forte contra os comunistas, porque eles viviam “la revolución”, tema importado de Cuba, onde os militantes brasileiros eram formados na arte da guerrilha urbana. E esses comunistas, sim, faziam atentados a bomba, assaltos a banco, sequestros… Lembro-me muito bem do sequestro de Abílio Diniz, sequestrado por militantes da esquerda brasileira junto com revolucionários guerrilheiros chilenos, argentinos e canadenses e, é claro, terroristas brasileiros. O motivo “de fachada” era o financiamento de campanhas políticas em El Salvador, mas os brasileiros agiam em interesse próprio, para financiar o PT e outros partidos de esquerda. Quando, mais tarde, os partidos comunistas foram “oficializados” pelo que se chamou de “redemocratização”, os terroristas se agregaram a diversos partidos comunistas e socialistas, impondo uma fase da política brasileira em que praticamente era impossível ver algum partido que não tivesse o “S” de “social” em sua sigla. Sim, o Brasil passou a ter uma hegemonia socialista legitimada pela nova ordem legal.
Curioso que partidos com nomes tais como “PCdoB” afirmavam descaradamente não ser comunistas, mas bastava entrar e ler seus estatutos e documentos oficiais para ver toda a doutrina da Internacional Comunista registrada letra por letra.
Dentro dessa realidade, o brasileiro médio nunca teve acesso ao fato de que morava, de fato, em um país socialista. A propaganda oficial pregava, como faz até hoje, que o Brasil era uma democracia, que era um país capitalista — pelo fato de ter empresas privadas.
Eu mesmo, que sou razoavelmente educado, não conseguia compreender a profundidade em que estava mergulhado na doutrinação socialista.
Sim, como sempre me dediquei à iniciativa privada, via as dificuldades colossais impostas ao empresário brasileiro — burocracia gigantesca para se abrir uma empresa, e burocracia praticamente invencível para mantê-la aberta.
Dois fatos marcaram a minha vida nesse sentido. Em 1990, houve o Plano Collor, um momento em que todas as contas bancárias e de poupança foram congeladas, e só se podia sacar dinheiro para pagar contas que documentadamente já tivessem sido assumidas ANTES da assinatura do plano. Fernando Collor cometeu um sincericídio: contou à nação brasileira que o dinheiro da poupança não existia, e foi deposto em seguida. Mas o que quero dizer é que, naquela época, eu trabalhava com montagem de motores e vendi duas dúzias de motores para uma loja de peças no bairro de Pirituba, em São Paulo. Emiti as notas fiscais como sempre fiz em toda a minha vida, para em seguida quase ter um ataque do coração: aquilo que deveria ter sido uma operação lucrativa foi ENGOLIDO por impostos que o meu contador não havia nos explicado; além de trabalhar DE GRAÇA, ainda tive que trabalhar diversos meses só para pagar impostos que ultrapassaram muito o valor do que seria meu lucro.
Em outra ocasião, abri uma empresa para fabricar e comercializar um produto que eu havia patenteado, um imobilizador e anestesiador de uso bovino. Dessa vez eu já tinha aprendido a lição, então fui muito exigente com o novo contador, expliquei o que havia acontecido na empresa anterior e fiz de tudo para poder operar corretamente. Bom, funcionou por algum tempo, até que o meu contador um belo dia nos disse que havia cometido um erro, e que agora deveríamos pagar impostos correspondentes a vários meses de todo o nosso faturamento. Foram anos pagando parcelamento de impostos.
Isto pode parecer mera incompetência, e, de fato, eu não sou especialista em recolhimento tributário; para isto, sempre me cerquei de profissionais que, em tese, deveriam saber o que estavam fazendo. Só que, no Brasil, o contador comum muitas vezes não sabe, de fato, o que está fazendo, porque o Brasil tem 38 mil normas tributárias em vigor, num total de 7,8 milhões de regras publicadas desde 1988 — sim, apenas contando a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988.
Hoje, os escritórios modernos estão superequipados com a mais avançada tecnologia, e esses erros tendem a ser muito menos frequentes, mas, adivinhem: como advogado, continuo atuando na defesa de empresários vitimados pelo fato de que, no Brasil, existem, em média, 37 novas normas tributárias POR DIA. O que um contador lançou com base na norma de hoje pode simplesmente ser ilegal amanhã. E, apesar de existir uma ficção em nossa Constituição Federal — na parte que diz que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei —, na prática, se o ajudante do auxiliar do faxineiro de uma repartição pública assinar um papel qualquer, no dia seguinte um empresário pode ser pesadamente multado de acordo com a nova regra.
Isto se deve ao fato de que a Constituição Federal foi minuciosamente projetada para, por meio das regras tributárias, fazer aquilo que está nas regras da Internacional Comunista: fazer com que todos os meios de produção pertençam ao Estado. O Estado deve ser o único dono de todas as fábricas, de todas as lojas, de todas as empresas de prestação de serviço, mesmo aquelas unipessoais. E isto se faz por meio de duas coisas: legislação trabalhista (de Mussolini) e legislação fiscal.
Nesta semana, após o governo brasileiro se negar a participar das negociações sobre tarifas, o governo dos Estados Unidos da América decretou em definitivo um tarifaço de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros. Está bombando na mídia como o “Trump malvado” está assolando os coitados dos brasileiros. A China cobra 67% sobre a carne bovina importada do Brasil, mas ninguém vai ver a imprensa alinhada ao governo reclamar, afinal de contas a China é parceira prioritária do Brasil, existe alinhamento ideológico entre os narcoterroristas brasileiros e os comunistas chineses, e Dilma está no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como banco do BRICS, na China.
O que ninguém conta é que, para importar produtos comuns, o brasileiro paga impostos que variam, chegando a 116% na importação de produtos comuns de outros países. Esses altíssimos impostos nasceram com a ideia de proteção da indústria nacional, para manter a competitividade dos produtos brasileiros — só que, no Brasil, um carro de R$ 100 mil tem embutidos impostos no valor de pelo menos R$ 52 mil. Então, esta é a mentira: os impostos de importação no Brasil se prestam exclusivamente a equiparar o preço dos produtos à realidade fiscal interna do Brasil, ou seja, o brasileiro paga o dobro do valor de cada produto, não importa onde ele seja produzido.
Daí que um governo estrangeiro taxar o Brasil em 25% não pode sequer ser tratado como abuso, pois essa tarifa representa apenas um quarto do que o Brasil cobra para internalizar qualquer produto.
Sai muito caro morar no Brasil; é um luxo para quem realmente ama o país.
Mas o problema não para aí.
O socialismo, para existir, depende de números que o justifiquem. O governo socialista precisa ter uma capa de sucesso nos números que são divulgados. E o governo precisa aparecer bem nas estatísticas para poder se relacionar com os outros países. Aí é que começa o imbróglio.
Vou dar um exemplo: a educação.
Os números que se levam em conta internacionalmente são o tempo médio de estudo da população, o número absoluto e proporcional de pessoas analfabetas, e o número de pessoas com curso superior.
Ok.
O Brasil estabeleceu o que se chama de progressão continuada. Funciona assim: o aluno que não compareceu o ano inteiro a nenhuma aula pode apresentar um trabalho, que não precisa ser manuscrito nem assinado, para poder passar de ano. Sim, a LDB diz que o aluno precisa ter 75% de frequência para não ser reprovado, mas existe a exceção, e, como sempre, a exceção passou a predominar até se tornar regra.
Mas e quando esse aluno, que não foi educado, não sabe ler, escrever nem conhece as contas mais simples de matemática, precisa entrar em uma faculdade? Simples: ele entra por cotas — se tiver determinada cor de pele, pertencer a determinado grupo etc. Ele vai entrar na faculdade. Vai fazer o quê na faculdade, se não tem a menor ideia do que está sendo ministrado em sala de aula? Nada. E assim se forma uma grande base de graduados que não sabem ler nem escrever — mas o Brasil tem números para apresentar ao restante do mundo.
Claro, o Brasil está em 119º lugar no ranking mundial de educação, mas o ranking é viciado, é feito por nações desenvolvidas que não se importam com a realidade brasileira…
Vamos ver outro aspecto do socialismo, a força de trabalho? Afinal de contas, os comunistas são grandes defensores do proletariado, correto?
No Brasil, cerca de 22,7% das famílias vivem de auxílios do governo, ou seja, estão abaixo da linha de pobreza absoluta e dependem do governo para comer. Como o tamanho médio da família brasileira é de cerca de três pessoas por lar, estamos falando de 49 milhões de pessoas, considerando a população brasileira em 2026.
No serviço público, temos aproximadamente 13 milhões de pessoas, que sustentam 39 milhões de pessoas, cerca de 19% da população.
413 mil pessoas trabalham em empresas estatais, ou seja, são responsáveis pelo sustento de 1,2 milhão de pessoas, suas famílias.
No Brasil, temos 29,3 milhões de aposentados. Desde que o Presidente Juscelino Kubitschek resolveu enfiar a mão no dinheiro dos aposentados, arrombando o caixa para construir a cidade de Brasília, o sistema de aposentadoria deixou de ser bancado por um fundo de poupança recolhido pelos trabalhadores e passou a ser um esquema de pirâmide, em que cada trabalhador atual “contribui” para o pagamento de quem já se aposentou, e, como sempre falta dinheiro, a diferença se transforma em dívida pública.
No total, sabemos então que mais de 56% da população brasileira vive de verbas do governo, restando 44% da população que deve trabalhar e arcar com esses custos, ou seja, chegamos a um número bruto de 94 milhões de pessoas.
Mas, desses 44% brutos, precisamos considerar que também temos, dentro desse grupo, pelo menos 25% de crianças, ou seja, 70 milhões de pessoas são responsáveis por se levantar todos os dias, enfrentar trem, ônibus e trânsito para ir trabalhar e sustentar o país.
Um terço dos brasileiros é responsável por pagar tudo o que é necessário para o Brasil existir.
Mas a conta ainda não fecha. Sabemos que o agronegócio representa 25% do PIB brasileiro. Ou seja, um quarto da riqueza produzida no país, e algo entre 45% e 50% de toda a balança comercial brasileira. Só que o agro não votou no Lula, porque quem trabalha não vota em bandido. E isto tem consequências. As políticas externas do governo brasileiro, que estão resultando em proibição de exportação de produtos brasileiros para diversos países, e supertarifamento em diversos outros, estão esmagando o agronegócio a ponto de produtores precisarem abandonar suas fazendas, que estão sendo perdidas para os bancos. Em 2025, foram 14.219 propriedades rurais produtivas levadas a leilão, e, no primeiro semestre de 2026, este número subiu 35%. E ainda não chegaram as contas dos tarifaços e das proibições de exportação, quando este número vai aumentar rapidamente. Sim, o governo socialista está fazendo com que os meios de produção rurais não pertençam mais a quem produz. Isto não é um plano dando errado; é um projeto arquitetado e colocado em prática ao longo de décadas de planejamento, e que agora está finalmente funcionando.
No setor da indústria, a coisa não está diferente. Há muitos anos, diversas indústrias trabalham com margens de lucro muito próximas de zero, devido principalmente aos custos diretos e indiretos da tarifação e da tributação. Quando o movimento é muito grande, isto permite que a empresa ainda sobreviva e, às vezes, até tenha algum lucro, ainda que marginal. Só que, na história recente, está acontecendo com as grandes empresas o que havia acontecido comigo, na época em que eu ainda acreditava em empreender no Brasil — o custo de produção mais impostos não consegue mais ser repassado ao consumidor, ocorre uma estagflação, e as empresas começam a operar no prejuízo.
Qualquer grande empresa sabe enfrentar períodos de contingência; o melhor exemplo foi o das companhias aéreas no período do confinamento da COVID-19. Só que, quando a situação política e econômica apresenta um quadro claro de irreversibilidade — e é isto o que está acontecendo no Brasil —, as empresas começam a assumir seu prejuízo e a encerrar operações.
Quando isto acontece, existem duas consequências imediatas: aumenta imediatamente o número de pessoas que dependem de assistência do governo, e o governo deixa de arrecadar os impostos que eram gerados por aquela empresa.
Qual é a resposta de um governo socialista para essa situação? Aumentar a alíquota de impostos. E, quando isto acontece, mais uma camada de empresas — as que ainda operavam com uma margem de lucro minimamente decente — começa a operar no prejuízo, indo para recuperação judicial, falência, ou simplesmente encerrando suas operações.
Ao mesmo tempo em que um país socialista exerce uma pressão econômica e tributária cada vez mais pesada sobre a iniciativa privada, existe um outro lado: os apoiadores mais diretos do governo precisam de cargos em gabinetes políticos e em empresas estatais. A solução é a criação de mais diretorias nas estatais que já existem e, se possível, até a criação de novas estatais.
Claro, você já entendeu que a conta não fecha. Para alimentar essa máquina, é necessário dinheiro, e o dinheiro diminui a cada vez que a economia como um todo desacelera. Só que as despesas de um governo socialista nunca diminuem; os próprios políticos de esquerda dizem, com todas as letras, que empresas públicas não existem para dar lucro (o lucro, para eles, é um pecado grave, pois retira dinheiro do proletariado).
A solução é sempre a mesma: criar mais dinheiro.
Isto é muito fácil quando se tem um Banco Central apadrinhado, porque o dinheiro, como o conhecemos, de fato não existe, mas é criado do nada a cada vez que é necessário.
Explico: quando o governo precisa de dinheiro, emite um título de dívida pública contra o Banco Central. De acordo com a legislação brasileira, o Banco Central não pode emitir dinheiro em contrapartida de novos títulos de dívida pública, mas, de fato, é este o caminho adotado, em princípio, em todos os países onde existem Bancos Centrais. O dinheiro nasce do nada, sem origem, é criado “out of thin air”. E o resultado é inflação.
Mas, no Brasil, o Banco Central é amarrado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, aquela que provocou o impeachment de Dilma. Pergunta: alguém acha que quem tirou Lula da cadeia para nomeá-lo presidente vai permitir que algo assim aconteça de novo?
Uma outra coisa interessante que tem acontecido nos tempos presentes: o governo tem controlado artificialmente a cotação do dólar, atuando fortemente nos leilões, ou seja, comprando dólares em grande quantidade para impedir que o real se desvalorize, e tem forçado a entrada — ou, pelo menos, a diminuição da fuga — de dólares do mercado brasileiro, mantendo os juros em patamares elevados. A consequência imediata é a dívida pública chegando aos patamares em que estava na crise da COVID-19, ou seja, caminhando em direção a 100% do PIB.
Uma dívida pública de R$ 10,62 trilhões, ou 81,1% do PIB, aliada às taxas altíssimas de juros, faz com que o governo simplesmente não consiga mais manter um prognóstico indicando que conseguirá fazer frente ao pagamento do serviço da dívida, ou seja, o montante total da arrecadação se afasta cada vez mais do necessário para o pagamento da dívida.
Isto é simplesmente desesperador para alguém que tenha qualquer intenção de pagar dívidas, mas este não é o caso do governo brasileiro. Na verdade, o governo Lula já sinalizou por diversas vezes, formalmente e com todas as letras, que trabalha para desvincular o Brasil do dólar, milita para que o dólar deixe de ser a moeda padrão do comércio internacional, e trabalha no sentido da criação de uma nova moeda do BRICS. Se isto acontecer, eles vão simplesmente alegar que a dívida colossal do governo brasileiro se deve ao abuso dos países capitalistas, e vão deixar a dívida de lado.
Dilma está no Banco do BRICS por este motivo, e para cumprir este objetivo.
Ah, mas Lula disse que as reservas internacionais do Brasil nunca estiveram tão elevadas… É verdade, mas isto se deve à intervenção do governo no câmbio, à compra desenfreada de dólares para evitar a desvalorização catastrófica do real, neste momento em que o próprio governo ainda depende da balança comercial tradicional para se manter. Até quando disserem que não precisam mais.
E se, por algum acaso, acontecer de metade do STF ser presa junto com Lula, e um salvador da pátria ser eleito apesar das urnas eletrônicas? O que vai acontecer?
Bom, primeiro, não acredito que quem está no poder, roubando desenfreadamente como se não houvesse amanhã, vá permitir que exista alternância de poder, possibilitando eleições honestas e a eleição de alguém íntegro e honesto, pois isto invariavelmente provocaria a responsabilização por crimes impensáveis e inimagináveis que estão sendo cometidos contra o Brasil e que o brasileiro comum não pode sequer imaginar — nada como os desvios de alguns “poucos” bilhões para cá e para lá. Não. Neste momento, o roubo aos cofres públicos está sendo feito de forma profissional e altamente eficaz; é para simplesmente zerar tudo mesmo. E esta quadrilha não vai arriscar ter um Bolsonaro fechando as portas dos cofres por quatro anos, nem muito menos vai permitir que se busque responsabilização pelo que de fato está acontecendo hoje no Brasil.
O Brasil é um país maior e imensamente mais complexo que a Venezuela. Lá, o poder estava altamente concentrado no ditador e em seu pequeno grupo; prendendo um e matando mais algumas dúzias, foi possível ter alguma perspectiva de recuperação do país.
No Brasil, a coisa não é assim. De um lado, existe metade da população que vota num bandido sabendo que ele é ladrão, porque esta parcela da população acha que é certo saquear a carga de um caminhão acidentado, acha que é certo viver de bolsas sem precisar trabalhar. Esta parcela da população é composta por pelo menos uma geração inteira de pessoas sem educação mínima, sem noções de civilidade, sem senso de obrigação sequer em relação à própria prole. Uma geração inteira intercalada entre completamente analfabetos e analfabetos funcionais, sem qualificação para o trabalho e sem nenhuma disposição para trabalhar.
Já ouvi muitos dizerem que Lula é inteligente, que é perspicaz etc. Mentira. Ele é burro como uma porta, beira a imbecilidade. Mas ele conhece muito bem esta classe de brasileiros que ajudou a formar, sabe que sempre poderá contar com eles, não importa o quanto destrua o país cada vez mais.
Enquanto essas pessoas estiverem recebendo Bolsa Família e um botijão de gás, ninguém mais será eleito no Brasil, a não ser aqueles que pertençam à quadrilha — e agora nem será mais preciso fraudar as eleições para isto.
Quando a realidade bater à porta, quando todos os cérebros do país tiverem se evadido, quando só restarem os que recebem auxílios do governo, mas não existirem mais aqueles que trabalham para os sustentar, então estes irão com a roupa que lhes restar no corpo tentar entrar no país vizinho que tiver a fronteira menos vigiada.
Para se tornarem cidadãos do novo país, e votarem em socialistas.
Por Arnaldo Adasz