International Democracy

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Bob Jeff e o general

Vinte e três de outubro de 2022. Em um domingo a tarde o ex-deputado federal e ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson, reagiu à invasão de sua casa por agentes da Polícia Federal, efetuando cerca de 20 disparos de fuzil, e jogando três granadas.

Bob Jeff, figura única na política brasileira ganhou muita notoriedade quando em 06 de Junho de 2005 denunciou, em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, que o PT pagava regularmente 30 mil reais por mês a vários deputados federais, para assim conseguir a aprovação de projetos de interesse do governo, mostrando para o mundo um esquema que se tornou famoso com o nome de Mensalão. O mentor do esquema, conforme ficou provado na AP 470, foi o então Ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Que a corrupção existe e sempre existiu no Brasil, todo mundo sabe. A corrupção é bem registrada em nossa história desde o tempo colonial. Na política então, o público tem a clara visão de que a corrupção é a regra. E quando vemos os mecanismos estabelecidos e amplamente utilizados pela maioria dos governos pós militarismo, observamos que é aceito como normal a troca de cargos e ministérios por apoio no Congresso Nacional. Este mecanismo é potencialmente mais lesivo à nação do que até mesmo a distribuição de dinheiro em espécie para parlamentares. Mas, convenhamos, a distribuição SISTEMÁTICA de dinheiro para a violação de prerrogativas parlamentares foi ousada até mesmo para quem tinha a pretensão explícita de tomar o poder e implantar um novo regime no Brasil. Hoje esta distribuição existe também, mas é legalizada na forma de emendas parlamentares.

Pois bem, Bob Jeff não é santo, e ficou bem demonstrado no processo do Mensalão que ele mesmo recebeu e distribuiu dinheiro para o seu partido. Se o fato dele ter denunciado foi um ato de redenção, isso vai depender de quem contar a história daqui alguns anos – e a história oficial é sempre feita por quem está no poder.

O fato é que ao menos publicamente Bob Jeff buscou se redimir, sua postura passou a ser a de alguém com a intenção e firme propósito de expor as falcatruas que ocorrem dentro dos tenebrosos túneis do poder. Com isto ele ganhou alguma admiração de diversos conservadores, e o ódio dos atuais donos do poder.

Como parte deste processo de auto redenção, ele, assim como já tinha sido teatral na denúncia do mensalão, continuou batendo contra os desatinos e vicissitudes do sistema, que a partir de determinado momento passaram a ocorrer através das mãos de alguns ministros do STF. As violações do STF passaram desde a anulação das condenações de Lula e de diversos outros criminosos, e passaram a se realizar num afastamento total da lei, da constituição, da moral e da ética. Na verdade as decisões de alguns supremos
passaram a ser a única bússola legal, ética e moral existente – em dissonância com a realidade do que é ser legal, ético e moral.

Ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, o STF começou a prender pessoas que expuseram seus muitos crimes. Entre os presos mais notórios se encontram parlamentares, jornalistas e influenciadores. Entre os menos notórios pessoalmente, estão os 1.400 brasileiros presos em 08 de Janeiro de 2023.

Eu sou neto de húngaros, e, talvez por este motivo, sempre me
interessei pela história recente da Europa, principalmente as duas grandes
guerras e a ascensão comunista.

Então o que está acontecendo no Brasil, eu já vi na história desde a
minha mais tenra idade, sei o que é uma ditadura, sei quando ela está sendo
implantada, e sei o que acontece com os seus impositores. Sei o que
aconteceu com os milhares de húngaros que foram presos e mortos em 1956.
Sei o que foi o Holodomor, e também sei que a diferença entre o comunismo e
o nazismo é só estética – fundamentalmente as intenções, os métodos e
resultados sempre foram os mesmos.

Quem não acreditar, pesquise um pouco e verá por quantos anos
os campos de concentração e de extermínio em massa continuaram ativos, sob
poder dos soviéticos, após o término da segunda grande guerra mundial.

Na implantação de um regime ditatorial, como dito pelo Lula, há de
se controlar a narrativa. Quem controla a narrativa tem a opinião pública. E é
muito simples dizer que quem atirou em policiais, especialmente policiais a
serviço e durante cumprimento de ordem judicial é um reles criminoso.

É jargão também que ordem judicial não se discute, se cumpre.

Só que existe uma contrapartida: A ordem judicial que é
fundamentalmente ilegal e criminosa, só é cumprida por quem é partícipe do
crime – e aí pouco importa os poderes dos quais a pessoa está investida,
porque todo poder legal cessa quando se afasta a Constituição Federal – é nela
que estão moldados os três poderes da República, e é nela que estão
elencadas as polícias. Usar o poder do qual se foi investido por previsão
constitucional para violar a constituição é crime gravíssimo, pois aponta para a
desconstituição do Estado Democrático de Direito.

Advogado de estirpe, político de longa carreira, Bob Jeff sabe muito
bem que a prisão dele e de outros tantos não ocorreu por violação de nenhuma
letra da legislação brasileira, nem com nenhuma das formas essenciais à
legitimidade do ato – simplesmente inventou-se em determinado momento que
ele ou organizava ou fazia parte de uma “milícia digital” cujo objetivo seria
promover ataques à democracia.

Democracia é uma palavra amplamente utilizada por canalhas
como Alexandre de Moraes. Em novilíngua, ou Xandês democracia significa dar
opiniões contrárias às dele.

Por suas manifestações em redes sociais, Bob Jeff foi preso e algum
tempo depois foi para prisão domiciliar, pois sua saúde estava já muito
deteriorada.

Em prisão domiciliar, ele deu uma entrevista ao Canal de Jovem Pan
News, e o Moraes mandou que ele voltasse para a prisão. Tecnicamente Bob
Jeff descumpriu as regras de sua prisão domiciliar, especialmente a de não
falar mal do Xandão.

E foi assim que naquele belo domingo a tarde a equipe da Polícia
Federal foi lá e teve que sair com o rabo no meio das pernas, depois de tomar
tiro de fuzil.

Uma coisa muito interessante ocorreu naquele momento durante a
cobertura da imprensa – entre as pessoas que são proprietárias de armas
cresceu rapidamente um burburinho em redes sociais, dizendo que a loucura
do Bob Jeff reforçaria o desarmamento civil.

As pessoas precisam saber que o desarmamento civil é projeto de
governo e projeto de poder, tá lá no PNDH-3 feito por Lula e prefaciado pelo
FHC, e, apesar de ser um decreto, não teve uma letra alterada pelo Presidente
Jair Messias Bolsonaro. O desarmamento vai acontecer porque o regime se
implanta ao custo da vida de civis, e então os civis não podem ter armas de
fogo. O desarmamento não se fortaleceu com o Bob Jeff, pelo contrário, pela
primeira vez na história recente do Brasil alguém entendeu e demonstrou para
o que servem suas armas de fogo.

Na sequência dos fatos Jair Bolsonaro repudiou as falas de Bob Jeff
onde ele fez ofensas pessoas à Min. Carmem Lúcia, e repudiou o fato dele ter
atirado em policiais. Eu não apoio o que ele disse sobre a ministra, em nada.
Mas os brasileiros terão suas vidas e suas liberdades tomadas por agentes do
governo – muitos serão como os “coletivos” da Venezuela, mas, se vermos os
exemplos da Alemanha Nazista e da URSS, a maioria dos cidadãos serão
mortos por pessoas com cargos oficiais. E o princípio maior da civilização é que
o cidadão possa se defender contra atos ilegítimos de um poder ditatorial. Sim,
na bala.

Nos EUA a segunda emenda da Constituição nasceu com este
objetivo, de proteger o povo contra o governo – o que aliás é a função de
qualquer constituição. O governo só precisa de suas forças armadas para se
defender, enquanto o povo é facilmente submetido a qualquer arbitrariedade
se não tiver meios físicos de defesa.

Então, na prática, não existe diferença alguma entre o Bob Jeff
recebendo a Polícia Federal na bala, e o General Ángel Vivas, que subiu no
telhado de sua casa armado de um fuzil e resistiu à prisão por ter agido contra
o regime de Nicolás Maduro. Quando o poder estabelecido é ilegítimo, torna-se
legítimo defender-se contra ele, especialmente com o uso de nossas armas.

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